sábado, 27 de junho de 2009

O Marquês e o vendedor de ostras

sábado, 27 de junho de 2009 0

O Marquês Pedepanno é um tipo que gosta de ir à praia, mas se enfurece quando resolve chover nos dias em que decide ir. Certo dia, cansado do tom branco neve da pele da Marquesa, resolveu com seus próprios botões (que não são poucos) que iria à praia dar um “quê” de jambo à sua pele. Em dias de ir à praia o marquesado ficava praticamente como hotel da seleção brasileira em dia de jogo de copa do mundo. Mobilização total. Dezenas de súditos correndo pra todos os lados. Sem contar as incontáveis comitivas que se preparavam para ir antes anunciando a chegada do Marquês, e a comitiva de CET (clima e temperatura) que já deveria estar na praia quando o Marquês sonhasse com essa idéia (para isso existe o setor de PIM – pensamento e intuição do Marquês, encarregado antecipar todas as vontades do nobre). Lembro-me que no último verão, uma confusão causada por um estagiário daltônico do CET fez com que a marquesa levasse seu biquíni azul em vez do verde perolado que a água fazia naquele dia... Pobre estagiário, até hoje vaga cego por entre os becos do marquesado. A praia ficava a alguns quilômetros do castelo do Marquês e se fazia necessário sair umas tantas horas antes que o casal acordasse. Era um grande trabalho para a equipe de CMD (carregamento do Marquês-dormindo) fazer logo cedo. Durante o trajeto, lá pelas nove e tantas, ao acordar, o Marquês balbucia:

- Benzinhôoo... Bom dia! Veja que sol mais lindo e brilhante que separei só pra você... (sons de pássaros eram ouvidos... Ah, esqueci de dizer, eles eram colocados na gaiola propositalmente na janela do quarto-móvel para cantar ao acordar dos marqueses)

- Cala a boca Pedepanno e me deixa dormir. Minha pele vai ficar um horror se eu acordar antes das 10. Parece que não sabe...

- Mas benhê, hoje é dia de praia. Que tal se você colocasse aquele fiozinho-dental que te deixa mais gostosa, hein, hein?

- E deixar à mostra as duas celulites horrorosas que me apareceram? Nunquinha. Deixa eu dormir meu sono da beleza senão o tempo vai fechar e não vai ter praia pra ninguém.

O Marquês, muito perspicaz em termos de Marquesa, fez o que o mais sábio dos homens faria na mesma situação... Fechou as cortinas e foi para fora do cômodo, sem incomodar a marquesa – já pensando na manutenção dos seus testículos no lugar onde estão. E foi contemplar a beleza da paisagem.

- Que belo sol hein Sócrates? (falou o Marquês para Sócrates, o PCR (piloto de carruagens real). Quanto tempo temos antes de chegarmos ao mar?

- Seu dotô é o seguinte: dada em vista as considerações contemporâneas e as estatísticas das últimas 15 viagens à praia, acredito que em 33 minutos e 17 segundos estaremos em terreno arenoso.

O Marquês prezava pela precisão das informações e costumava punir severamente os erros, divergências e assincronias. A maioria dos comandantes de embarcações, pilotos, navegantes e comissários de bordo passavam por um treinamento rigorosíssimo de planejamento estratégico de viagens. Ao final de 33 minutos e exatos 17 segundos estavam o Marquês Pedepanno e sua senhora na praia – Ah! O Paraíso.

- Pedepanno, passe bronzeador nas minhas costas.

- É pra já! Meu docinho de damasco grego.

- Pedepanno... Isso é – bronzeador – e não catchup. Não precisa gastar o vidro todo.

- Bem que poderia ser um daqueles óleos corporais com sabores exóticos. Eu não me incomodava nem um pouco de lamber todinho depois...

- Tira a mão daí e sai da frente, você está tapando o sol inteiro com essa sua pança real.

Quando algum nobre chegava à praia era um alvoroço só. Incontáveis vendedores ambulantes se enfileiravam para oferecer algum produto ou serviço. Eram camarões, guaiamuns, mariscos, batata-frita e toda sorte de penduricalhos e artefatos produzidos pelos locais. Mas o marquês só ficava esperando um deles... O de ostras. E esperava avidamente, como uma criança que sabe que vai ganhar um brinquedo. O Marquês era tarado em ostras. Contam as lendas que algum dia no marquesado o nobre Pedepanno cismou da caçoleta que tinha que comer ostras flambadas no café da manhã. Imagine só que um coitado de um estagiário do PBO (pratos à base de ostras) teve que se virar pra comprar ostras na baixa estação – e das grandes. Dizem que até a mãe do pobrezinho entrou na negociação. E não foi pra argumentar com o vendedor não, foi como pagamento pelas ostras. Finalmente, depois de uma longa fila de vendedores, chega o tão esperado ostreiro. Os olhos do Marquês brilham e a baba escorre pelo canto dos lábios.

- Vai uma ostra ai seu Marquês?

- Quanto custa?

- Tá na promoção. Duas por dez patacas.

- Promoção? Vão te promover a gerente? Só se for, por esse preço. O que é isso? Compre uma ostra e financie 8 refeições na Somália?

- Ô seu Marquês, a “cuestão” é que essas “ostrinha” aqui são “tratada” à pão-de-ló e ração da mais pura pureza da região. E tem a patroinha e os “pirráia” lá em casa pra dar de comer. Sabe como é, o IPI reduz, a gente compra geladeira, mas continua sem ter o que pôr dentro. Sem contar o mau estado das “bolsa de valô” e a “dscaptalização” do “eterocentro” econômico do nosso marquesado que “num” tá com essas bolas todas.

- Tudo bem, também não precisa chorar, eu entendo sua preocupação e minha fome. Vou fazer vista grossa a esse superfaturamento só porque aquela ostra ali está sorrindo pra mim.

O Marquês Pedepanno não só entendia dos problemas financeiros do seu marquesado como era o autor da maioria deles. No mês anterior, em visita à sua fábrica de artesanatos do mundo, ele notou uma diminuição na venda de leques indianos (uma imitação muito bem feita, baseada em modelos autênticos trazidos pelo marquês e sua esposa daquela mesma viagem à índia). Dada essa situação, resolveu entrar na moda do toma-lá-dá-cá e diminuiu o IPI (imposto sobre produtos impostos – uma espécie de cesta básica compulsória descontada em folha de todos os empregados remunerados financeiramente do marquesado). Em contrapartida fez um justo decreto obrigando todos os beneficiados com a redução do IPI a converter o valor economizado em leques indianos artesanalmente produzidos pela fábrica do Marquês.

- “Compreta?”

- Com tudo, azeite, sal, cominho e limão – pouca pimenta.

Os olhos do Marquês brilhavam e a ostra descia escorregando por sua garganta como um manjar dos céus. E mais outra, outra e outras. Assim foi durante grande parte da tarde. Depois de gastar mais de 300 patacas em ostras, o Marquês resolveu parar. Tendo em vista que ele já não conseguia mais nem respirar direito, há de se convir que foi uma quantidade suficiente. Na volta pra casa, esparramado nas almofadas reais, Pedepanno balbuciava um gemido estranho e a delicada Marquesa observava:

- Pedepanno, que *&$%$ de posição é essa? E que manchas são essas no seu rosto? Argh! Pedepanno, que cheiro horrível. Podia se controlar, ou ao menos abrir as cortinas?

- Â câm ô d´s Tom...

- Fala direito “porra”. Tá com dor de estômago? Acho é pouco. Você já viu o tamanho da sua barriga pra querer ter o olho maior que ela? Faça um favor pra nós dois e pra camada de ozônio e se tranque no banheiro.

Pedepanno chorava, gemia, e não conseguia se mexer. Nem falar alguma coisa inteligível. Conta-se que durante muitos anos os Bardos do marquesado cantaram canções que narravam a trajetória triste da volta do Marquês depois daquele ensolarado dia de praia e de infecção intestinal. Surgiram canções a respeito das 300 “potocas” em seu corpo, uma para cada “pataca”. Outras sobre as paradas no mato e os urros que ecoavam por todo o marquesado. Durante duas primaveras a palavra “ostra” foi proibida nos diálogos por lá e conta-se que foi nessa época que surgiu o termo “aquecimento global”...


sábado, 30 de maio de 2009

Aline de Araujo Coelho - Viver. E não ter a vergonha de ser feliz...

sábado, 30 de maio de 2009 4
Fazer o bem sem olhar a quem. Essa é a proposta da campanha que está mobilizando Recife, Pernambuco e quiça todo o pais. Movidos pelo exemplo de superação da nossa amiga Aline, nós, nossos amigos e amigos dos nossos amigos estamos nos unindo pra criar uma força gigantesca em busca de um doador compativel. A doação de medula óssea é um procedimento sem riscos para o doador e que pode ser a única chance de salvar uma vida. Infelizmente o índice de compatibilidade para esse procedimento é de um para 100.000, ou seja, é como achar uma agulha num palheiro. Só que precisamos mexer esse palheiro rapidamente, pois quem se encontra no estágio avançado de leucemia tem pouquissimo tempo pra esperar. Isso significa romper com os medos, os preconceitos, a burocracia e ainda a falta de estrutura do estado para coletar e cruzar os dados de doadores x receptores. Isso é muito pouco quando se tem vontade de ajudar e pode ser tudo pra quem espera por uma chance de viver. Jesus disse "eu vim para que todos tenham vida". Se cada um de nós for apenas um pouco desse exemplo, poderemos nos orgulhar de fazer uma coisa que nem todo o dinheiro do mundo pode fazer. Um dos valores que carrego comigo é - ser humano e acreditar nas pessoas - E apenas um gesto simples de doação pode representar tudo o que entendo por isso. Criando essa corrente de doadores podemos estar mudando o curso da história e do nada, por causa de um exemplo de vida, dar esperança a milhares de pessoas que veem a vida passar entre os dedos. 

Aline é uma menina linda, feliz e que eu tive a oportunidade de conhecer. Espero poder vê-la de novo entre nós, brincando, sorrindo e espalhando essa mensagem de esperança que não tenho a dimensão do tamanho que pode ter. Força a todos e vamos aumentar o número de possiveis doadores a 100.000 e assim termos uma chance de salvá-la e quem sabe, em nome dela, salvar outros 100.000 pacientes a espera de transplante.


Laboratório de análise de compatibilidade.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O que será que será? (versão alternativa)

quinta-feira, 16 de abril de 2009 2
O que será? Que será?
Que nenhum grande livro
Nuca me dirá
Que nenhuma melodia
Jamais vai cantar
Que toda fantasia
Não vai revelar
Nem toda alegria
Vai manifestar
Que todos desenganos
Não vão apontar
Que por todos os planos
Terá que passar
E que todos os anos
Tentará mudar
Que todo grande ego
Procura encontrar
Que nenhum mar de Lego
Vai representar
Se esconde no medo
O que será que será?
Que escorre entre os dedos
Sem nunca ficar
O que não tem segredo
Nem nunca terá!
O que não tem imagem
Nem nunca terá!
O que não tem feitiço...



O grande EU dos grandes EUs que se revelaram no mundo não têm nem tiveram forma precisa, não precisaram se afirmar para estar lá e nem por isso deixaram de lá estar. Fazer, acontecer, agir, são verbos que devem ser mais experimentados que conjugados. Os EUs que costumaram ser suas primeiras pessoas só o foram porque fizeram deles fenômenos da natureza. Buscar explicação é nada mais que - simplesmente - traçar um caminho mais longo para encontrar aquilo que está dentro de si e que não precisa ser explicado ou entendido. Para entender o andar, ande. Para entender o amor, ame. Se não conseguir chegar a nenhuma conclusão, ao menos passastes por eles conjugando o melhor dos verbos - Viver!

quarta-feira, 18 de março de 2009

O Marquês e o Súdito Ingrato

quarta-feira, 18 de março de 2009 4
O Marquês Pedepanno é um tipo que não aguenta brincadeira, mas está sempre lá pra brincar. Certo dia, sentado no seu trono (Marquês não é rei - tá é longe, mas se acha) achou que não tinha sido suficientemente bom nas últimas 24 horas (decerto ele tinha sido muito bom com um de seus criados na noite anterior deixando que ele experimentasse a sopa real. Normalmente isso era tarefa do provador-de-sopas-real que o fazia todas as noites para verificar se não haviam envenenado sua comida, mas como a última sopa estava "batizada" e o PSR havia morrido, alguém tinha que o fazer). Chamou então um de seus súditos que atendia pelo nome de Rufino, o LSR (lustrador-de-sapatos-real). Rufino se destacava entre os demais criados do setor de LPM (limpezas pessoais do Marquês - o Marquês adora siglas) por sempre conseguir o mais alto brilho de sapatos reais do marquesado. O nobre súdito apresentou-se rapidamente, prostrado em reverência aos pés do Marquês.
- Em que posso lhe ser útil, Vossa Nobreza? Perguntou o LSR.
- Gostaria de ser bom pra ti, caro súdito. Diz-me lá: o que te faria sentir o mais lisongeado dos meus criados?
- Ó Marquês, já me sinto infinitamente honrado em fazer parte do teu quadro de servidores. Não há nem haverá em toda a terra algo que me deixe mais lisongeado.
- Deixa de ser besta, ô cabra (detalhe, o Marquês Pedepanno é cearense). Desebucha logo e me diz o que tu queres pra que eu possa gastar essa oportunidade de ser bom.
- Posso mesmo, Vossa Majestade?
- Rápido, que essa vontade dá e passa rapidinho.
- Tem uma coisa com que eu gostaria de ser agraciado e lhe tornaria o "mais bom" dos Marqueses, ainda mais do que a infinidade que já és.
- Nestes termos, te dou ouvidos caro lustrador.
- Na sua sala de relaxamento tântrico tem uma Mandala que é muito admirada pela minha senhora e ficaria eternamente grato se pudesse tê-la em minha humilde residência.
- O QUÊ??? Tais me pedindo pra te dar a Mandala de pedrarias que a Marquesa Pedepanno trouxe da nossa última visita à India?
O casal de marqueses tinha ido à India (por causa da novela mesmo) e comprado a maior das mandalas para colocar em seu quarto de meditação tântrica com o intuito de captar as energias positivas. Na verdade era um quarto para a prática de sexo tântrico muito bem decorado e que o Marquês costumava visitar bem mais frequentemente que os outro nem sei quantos cômodos do castelo. E a mandala ficava muito bem lá.
- Desculpe Vossa Senhoria, mas você me perguntou em que poderia ser bom, e...
- LSR, vai me desculpando, mas seu pedido ultrapassou meu orçamento de bondade e como homem casado que és, deveria ter noção do que significa comprar uma briga com a patrôa. Mexer na mandala dela pode me custar um testiculo, que aliás seria o seu caso fosse necessário abrir mão de um.
- Não dá pra estourar o orçamento só essa vez? Indagou o Súdito.
- Dá pra ceder o testículo?
- Infelizmente não. Quer dizer, não pela minha própria vontade, Vossa Magnanimidade.
Nesse momento o clima ficou brabo e as nuvens negras que foram vistas ao redor do castelo foram comentadas por gerações a fio...
- Minha BSI (bondade soberana interna) me diz que posso ser magnânimo contigo e te perdoar pela heresia, mas a mandala fica onde está. Escolho como dote dessa infinita BSI que me assola, dar-te um pôster com minha foto.
- É.. Ma-ma-mais... Um pôster?
- Sim, vai ficar ótimo na sala onde irias pôr a mandala. Te concedo também a moldura (esse complemento de bondade surpreendeu até o menestrel aqui).
- Não posso aceitar, Marquês.
- Como se atreves? Concedi-te o privilégio dá minha bondade, não da minha compreensão, hoje não é terça-feira!
- A verdade é que esse artefato não combina com o meu sofá, ao contrário da mandala.
Qualquer um que lembre um pouco das histórias do Marquesado de Pedepanno saberia que essa não é uma postura muito adequada para um súdito prostrado diante do marquês, mas começo a achar que o cheiro de graxa de sapato deve ter destruido uma boa quantidade dos neurônios de Rufino.
- Guaaaardas! Ordeno que tirem esse súdito ingrato da minha frente e o coloquem na masmorra por quinze dias, comendo somente pão e água. E condeno o sofá da sua casa a ser queimado por não combinar com o pôster real.
- Mas, Marquês, piedade, por favor, não não... E continuou repetindo os nãos enquanto era arrastado pelos corredores do castelo até a masmorra...

- Piedade é aos sábados.



segunda-feira, 16 de março de 2009

Liderança Eficaz e um Táxi, Por Favor.

segunda-feira, 16 de março de 2009 2
Liderar não é coisa pra qualquer um não. Hoje comecei um curso de liderança eficaz no SEBRAE. Cheguei atrasado (-1 ponto). Culpa do trânsito infernal na Abdias? Culpa da minha falta de motorização? Não, falta de atitude mesmo. Depois do primeiro dia de curso você fica se achando o pior dos piores lideres de equipe. E nem vem que não tem, isso vale pra todos - os tais cursos do SEBRAE são uns apontadores de falhas, com o perdão da palavra, do caralho. Pena que como bom brasileiro minha memória é curtinha. Meu atraso não era nada que um TAXI não resolvesse. Aliás, depois do primeiro dia de curso, acho que todos os problemas de mau exemplo como lider se resolveriam com um TAXI. Chegar atrasado de manhã por estar sem carro e esperar carona: TAXI pra mim. Não fazer dez atendimentos a clientes por dia porque o DH da empresa está temporariamente com um carro só: TAXI. Almoçar quase duas da tarde e ir pra casa a pés, no sol. Outro TAXI. Chegar atrasado no curso agendado pela empresa (que eu mesmo agendei). Chama um TAXI. Só lembrando que essa hora é Bandeira 2.
Depois de tanta demora, enfim cheguei. Eu tenho meu "q" de psicólogo e qualquer um que me conheça sabe que é um prato cheio pra mim entrar numa sala com 25 pessoas diferentes, a maioria desconhecidas, expondo seus pensamentos e fazendo as vezes de tímidos-extrovertidos. Freud daria pulos, que dirá o Tiago aqui. Imagina que a primeira frase que se escuta na sala, ainda na dinâmica de apresentação é uma senhorazinha franzina ao ser perguntada pelo maior sonho: "Acabar com a violência sexual no mundo". Até que tirando a fuga parcial do tema, o sonho é dela e ela sonha o que quiser. Mas eu queria ver quem, estando ali no meu lugar, não acharia que se tratava de uma vítima de estupro tentando se ressocializar. Nada contra as vitimas de estupro que queiram se ressocializar. Até acho um ponto dramático na vida que deve ser tratado com a maior delicadeza entre os envolvidos, mas... Sandra Bullock em Miss Simpatia e o clássico "world peace" foi bem mais convincente. É, né? Entre atoleiros psicológicos e rios de frases feitas, foram três horas bastante produtivas. Eu até sou cabeçudo e duro pra me dobrar, mas mesmo sendo bombardeado por clichês a noite inteira, eu tenho que tirar o chapéu pra esses cursos do SEBRAE. Nos fazem sentir vivos, entre humanos diferentes e cabeças pensantes. Acredita que por um momento eu achei que nem só de automatizar postos de combustiveis vive o homem? Um momento - que passou, rsrsrs. Fica a lição de hoje: Atitude, Tiago. Atitude.

Essa vai pra seção PANNOS QUENTES:

"O mundo espera que você seja só a metade do que você espera
que seja no mundo"


Delacroix em "A Liberdade liderando o povo/A Liberdade guiando os povos", icone da insurreição de Paris, reflexo das lutas politicas que aconteceram durante a revolução francesa.

domingo, 15 de março de 2009

Ne Me Quitte Pas

domingo, 15 de março de 2009 1
Não me deixe. Dont´t leave me. Ne me quitte pas. 

Em outros tempos queria deixar. Em algum momento quis poder. Já outras tantas vezes quis querer, mas o querer só existe quando se pode ser bem mais do que é. Insisto outra vez em deixar mas não me envolvo. Descobri que não é o mistério que me atrai, mas a idéia de que um final gravado de acordo com a vontade de alguém, ainda assim possibilita inumeras interpretações. O fato é feito, consumado. Mas muda. De mente pra mente, ora sendo sutil e maleável, ora sendo direto e firme. E por poder mudar é que me sinto livre pra escrever meu próprio final e me adaptar ao seu ne me quitte pas.

"Rapte-me camaleoa/Adapte-me a uma cama boa/Capte-me uma mensagem à-toa/De um quasar pulsando loa/Interestelar canoa. Leitos perfeitos/Seus peitos direitos me olham assim/Fino menino me inclino pro lado do sim/Rapte-me, adapte-me, capte-me, it?s up to me, coração/Ser querer, ser merecer, ser um camaleão. Rapte-me camaleoa/Adapte-me ao seu ne me quitte pas"



quarta-feira, 11 de março de 2009

O amor é Público

quarta-feira, 11 de março de 2009 3
O amor é público. E não é público por ser por todos nem pra todos. É público por estar estampado na cara para quem quiser ver. É uma via de mão dupla sem regras, sem eira, sem beira. É um caso de estudo, é uma porta bem aberta, um livro a ser lido. Não se ama pra ficar escondido. O amor requer publicidade, reconhecimento. É o amor que mostra ao mundo o nosso jeito idiota de ser. É o amor que nos faz quem somos e como somos. E o mundo tem que ver. Precisa ser um motivo pra levar tapa na cara e tapinha nas costas. O amor é carente de orgulho e sedento por votos. É uma busca constante pra ser o melhor naquilo que faz. É um sentimento que se mostra puro, mas cheio de segundas intenções. É o que é não pelo ser, pelo estar, mas pelo sentir, pelo reagir.

Declaro com todas as letras: gasto o que tenho e o que não tenho para ser amado. Amo porque gosto da sensação de amar, amo porque preciso ser rodeado de amor, amo porque amor é fundamental como oxigênio e é preciso amar antes que os outros gastem todo o amor do mundo. Não ama mais quem tem o maior coração, ama aquele que sabe estampar seu amor nos jornais. Ama mais quem faz a maior declaração de amor. Ama mais o coração que faz mais barulho, que pulsa mais alto, o que arrebata aqueles que amam, o que convida os que não estão dispostos a amar. O amor precisa derreter de inveja, precisa estigar a cobiça, precisa faturar alto. O amor não pode ficar na estante, ele precisa ganhar o mundo, ter vida própria, ter cara. Ter Slogan. Se não tira do sério, não é tão amor assim. Se te deixa brexa pra outros amores, tampouco. Amar é ter motivo pra fazer promessa, subir escadarias de joelhos e de costas. É ter energia suficiente pra ir à lua e ter brilho suficiente pra criar as próprias estrelas. Não me venha com amores baratinhos, xulos. Se se encontra outro igual em cada esquina... Não é amor. Se todo mundo tem um parecido... Que imitação barata de amor. O amor é proprietário, é dono e não sócio. É patrão, tem poder. Cria mundos e civilizações. O amor te faz poeta de primeira linha, te faz cozinheiro, arquiteto e astronauta. Se nunca foi médico por amor, nunca amastes. O amor cura, o amor até adoece pra curar depois. O amor tem que ser selvagem, tem que ganhar no grito, tem que ser firme. O amor tem que ser perigoso. Tem que saber dirigir no escuro, tem que ter coragem pra gritar pro mundo um "eu te amo" que cale a boca. Amar é fazer uma tatuagem na testa, é queimar a ferro quente. É não deixar espaço pra ninguém. Amar te faz onipotente, onipresente. Amar é se sentir Deus. E nem venha me chamar de hipócrita por comparar o amor a Deus. O amor comete heresias a todo tempo, cria sua própria religião e seu próprio tempo. Atire a primeira pedra quem não quiser um amor assim. Me condene se for capaz de dormir com a consciência tranquila. E se o fizer, que pena. Deixe o amor te corroer, te corromper. Seja quem for, se torne quem for, mas não deixe um amor guardado. O amor guardado envelhece, morre. Amor tem que ter claustrofobia, tem que ir pra rua, tem que puxar o bloco. Amar é saber a hora de por fogo e saber apagar pra virar herói. Deixe o amor ser público, permita que ele seja você e não que você seja ele. O amor quer ser mártir, quer criar um feriado, quer ser ditador. Deixe o amor criar as regras, deixa ele andar em areia movediça quando quiser, deixa ele ser teu pai, teu filho. Deixa o amor pecar. Não segure o amor entre os dedos, não domestique o amor. Amor sem asas é qualquer outra coisa e quem quer qualquer coisa não quer amar. Quem se contenta com pouco não sabe amar. Quem é muito pouco não merece amar.

Publique o amor, candidate o seu amor. Ponha em todas esquinas, em todos os mapas uma indicação pro seu amor. Pendure uma seta no seu amor, deixe ele aparecer. Curta a intensidade de ser amado até a última gota e tenha sede por outro copo de amor. Deixe seu amor ser público, faça com que todos o queiram, faça com que todos o amem e faça isso pra sempre, pois menos que - eterno - não é amor. Menos que - por toda vida - não é amar.
 
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